Julho Amarelo: prevenção das hepatites virais também é cuidado com pessoas em uso de álcool e outras drogas

O Julho Amarelo é a campanha de conscientização sobre as hepatites virais, infecções que podem atingir o fígado e evoluir de forma silenciosa por muitos anos.

A data é um alerta importante para toda a população, mas ganha ainda mais relevância quando falamos de pessoas em situação de vulnerabilidade, uso abusivo de álcool, dependência química e consumo de outras drogas.

Isso porque alguns comportamentos e contextos associados ao uso de substâncias podem aumentar riscos à saúde, dificultar o autocuidado e atrasar a busca por diagnóstico e tratamento.

No Hospital Átrios, especializado em dependência química, alcoolismo e saúde mental, o cuidado integral também envolve informação, prevenção, orientação familiar e atenção aos impactos físicos que o uso de substâncias pode causar.

Hepatites virais podem evoluir silenciosamente

As hepatites virais podem ser causadas por diferentes vírus, como os tipos A, B, C, D e E. Algumas formas de hepatite podem apresentar sintomas leves ou até passar despercebidas no início.

Quando não são identificadas e acompanhadas adequadamente, podem evoluir para quadros mais graves, afetando o fígado e a saúde geral.

Entre os possíveis sinais estão:

  • cansaço intenso;
  • febre;
  • enjoo;
  • dor abdominal;
  • pele e olhos amarelados;
  • urina escura;
  • fezes claras;
  • perda de apetite.

Mas é importante lembrar: muitas pessoas podem estar infectadas e não apresentar sintomas por muito tempo. Por isso, informação, testagem e acompanhamento profissional fazem diferença.

Uso de drogas, compartilhamento de objetos e risco de contaminação

Em contextos de uso de drogas, alguns hábitos podem aumentar o risco de contato com sangue ou secreções contaminadas.

A hepatite C, por exemplo, está muito associada ao contato com sangue contaminado. O Ministério da Saúde orienta não compartilhar objetos que possam ter contato com sangue, incluindo seringas, agulhas, cachimbos, canudos e outros materiais utilizados no consumo de drogas.

Isso inclui situações como:

  • compartilhamento de seringas e agulhas;
  • compartilhamento de cachimbos;
  • uso do mesmo canudo, papel ou objeto para aspirar drogas;
  • ferimentos na boca ou no nariz durante o consumo;
  • compartilhamento de lâminas, alicates, escovas de dente ou objetos pessoais;
  • exposição a sangue em ambientes de vulnerabilidade.

Mesmo quando a droga não é injetável, o compartilhamento de objetos usados para cheirar ou fumar substâncias pode representar risco quando há microlesões, sangue ou secreções. Estudos também apontam o compartilhamento de canudos para aspiração de drogas como possível fator de risco adicional para transmissão do vírus da hepatite C.

Sexo sem proteção também é um fator de risco

Outro ponto importante é a relação entre dependência química, vulnerabilidade social e comportamento sexual de risco.

Em alguns contextos, o uso abusivo de álcool e drogas pode reduzir a percepção de perigo, aumentar impulsividade e favorecer relações sexuais sem preservativo.

O Ministério da Saúde destaca que o uso de preservativo em relações sexuais é uma das principais formas de prevenção contra ISTs, HIV e hepatites virais B e C.

Por isso, falar de hepatites virais também é falar de prevenção, orientação, testagem e cuidado com pessoas que estão em situação de maior exposição.

Álcool, fígado e hepatites: uma combinação perigosa

O álcool também merece atenção especial.

O consumo abusivo e prolongado de álcool pode causar danos ao fígado e contribuir para quadros graves, como a hepatite alcoólica, que é diferente das hepatites virais, mas também compromete a saúde hepática. O NHS explica que a hepatite alcoólica pode surgir após uso prejudicial de álcool ao longo do tempo e pode ser uma condição séria.

Quando uma pessoa já tem hepatite viral e mantém uso abusivo de álcool, o risco de agravamento da saúde do fígado pode ser ainda maior. Por isso, no contexto do alcoolismo, o cuidado precisa ser amplo, responsável e acompanhado por profissionais.

Dependência química exige cuidado integral

A dependência química não afeta apenas o comportamento. Ela pode comprometer o corpo, a mente, os relacionamentos, a rotina e a capacidade de autocuidado.

Pessoas em uso abusivo de álcool, crack, cocaína e outras substâncias podem deixar de fazer exames, abandonar tratamentos, se expor a situações de risco e demorar a procurar ajuda.

Por isso, o tratamento especializado precisa considerar a pessoa como um todo.

O cuidado envolve:

  • acolhimento;
  • escuta profissional;
  • orientação familiar;
  • avaliação clínica;
  • suporte em saúde mental;
  • atenção aos riscos físicos;
  • prevenção de recaídas;
  • construção de uma rotina mais segura.

No caso das hepatites, informação e testagem são passos fundamentais para proteger a saúde e reduzir complicações.

O papel da família na busca por ajuda

Muitas vezes, a família percebe sinais de risco antes da própria pessoa.

Uso frequente de álcool ou drogas, mudanças de comportamento, sumiços, descuido com a saúde, agressividade, exposição a ambientes perigosos, relações instáveis e perda de controle sobre a rotina são sinais que merecem atenção.

A família não precisa esperar a situação chegar ao limite para procurar orientação.

Buscar ajuda especializada pode ser o primeiro passo para entender o quadro, avaliar riscos e iniciar um cuidado mais seguro.

Hospital Átrios: tratamento especializado em dependência química, alcoolismo e saúde mental

O Hospital Átrios oferece tratamento especializado em dependência química, alcoolismo e saúde mental, com atendimento humanizado, estrutura adequada e equipe 24h.

Neste Julho Amarelo, reforçamos que prevenção também salva vidas. Informação, testagem, acompanhamento e tratamento adequado podem fazer diferença para pessoas e famílias impactadas pelo uso de álcool e outras drogas.

Cuidar da saúde é cuidar da vida.
E tratar a dependência química também é proteger o corpo, a mente e o futuro.