Musicoterapia no tratamento: como a música pode contribuir para a recuperação

A música faz parte da vida de muitas pessoas. Ela desperta lembranças, emoções, sensações e pode ajudar a criar momentos de conexão.

Mas, dentro de um contexto terapêutico, a música pode ter uma função ainda mais específica.

A musicoterapia utiliza sons, ritmos, instrumentos, canto e outras experiências musicais com objetivos terapêuticos definidos, sempre dentro de um processo acompanhado por profissional habilitado.

Por isso, é importante entender:

musicoterapia não é apenas ouvir música.

Ela é uma abordagem estruturada, que pode contribuir para aspectos emocionais, sociais, cognitivos e comportamentais durante um processo de tratamento.

O que é musicoterapia?

A musicoterapia é uma prática terapêutica que utiliza elementos musicais de forma planejada.

As atividades podem variar de acordo com as necessidades e os objetivos de cada pessoa ou grupo.

Entre as possibilidades estão:

  • ouvir músicas de forma direcionada;
  • cantar;
  • tocar instrumentos;
  • trabalhar ritmos;
  • criar sons;
  • improvisar;
  • compor;
  • conversar sobre sentimentos despertados pela experiência musical.

O mais importante não é o desempenho musical.

A pessoa não precisa saber cantar ou tocar um instrumento para participar.

O foco está no processo terapêutico e naquilo que a experiência pode ajudar a expressar, compreender ou desenvolver.

Por que a música pode ser utilizada em um tratamento?

A música pode facilitar formas de expressão que nem sempre aparecem com facilidade em uma conversa tradicional.

Em determinados contextos, ela pode ajudar a pessoa a reconhecer sentimentos, entrar em contato com lembranças e perceber melhor o próprio estado emocional.

Dentro de um planejamento terapêutico, a musicoterapia pode contribuir para:

  • expressão de emoções;
  • comunicação;
  • percepção de sentimentos;
  • interação social;
  • redução de tensão;
  • desenvolvimento da atenção;
  • construção de vínculos;
  • participação em atividades coletivas;
  • fortalecimento da autoestima.

Os objetivos precisam ser definidos de acordo com a avaliação de cada pessoa e com o contexto do tratamento.

Musicoterapia e saúde mental

Pessoas em tratamento de saúde mental podem enfrentar dificuldades para reconhecer ou verbalizar determinadas emoções.

A música pode funcionar como uma ferramenta complementar nesse processo.

Uma canção pode despertar lembranças.

Um ritmo pode facilitar a participação.

Uma atividade em grupo pode estimular interação e pertencimento.

Tudo isso pode criar oportunidades para que o paciente trabalhe aspectos importantes de sua experiência emocional.

Porém, a musicoterapia não substitui outras formas de cuidado quando elas são necessárias.

Ela pode fazer parte de um conjunto de estratégias dentro de um plano terapêutico mais amplo.

Musicoterapia no tratamento da dependência química

Na recuperação da dependência química, o tratamento não envolve apenas a interrupção do uso de uma substância.

Também pode ser necessário reconstruir hábitos, desenvolver novas estratégias para lidar com emoções e retomar formas mais saudáveis de convivência e expressão.

Nesse contexto, atividades de musicoterapia podem ajudar o paciente a participar de experiências que favoreçam:

  • identificação de emoções;
  • construção de novas formas de expressão;
  • interação com outras pessoas;
  • estabelecimento de rotina terapêutica;
  • percepção de gatilhos emocionais;
  • fortalecimento de vínculos;
  • desenvolvimento de interesses além do uso da substância.

A proposta não é utilizar a música como uma solução isolada, mas integrá-la ao processo terapêutico quando houver indicação.

É preciso saber tocar algum instrumento?

Não.

Esse é um dos equívocos mais comuns sobre a musicoterapia.

A pessoa pode participar mesmo sem qualquer conhecimento musical.

O profissional adapta as atividades às condições, necessidades e possibilidades de cada paciente.

Em alguns encontros, pode haver utilização de instrumentos.

Em outros, a atividade pode envolver escuta, voz, ritmo, movimentos ou até a escolha e discussão de músicas significativas.

O objetivo é terapêutico, e não artístico.

O papel das atividades em grupo

A musicoterapia também pode acontecer em grupo.

Esse formato pode proporcionar oportunidades importantes de interação.

Ao participar de uma atividade coletiva, a pessoa pode trabalhar escuta, respeito ao tempo do outro, cooperação e comunicação.

Essas experiências podem ser especialmente relevantes em processos de recuperação nos quais o isolamento social esteve presente.

A convivência terapêutica pode ajudar a reconstruir gradualmente habilidades de relacionamento e pertencimento.

Cada atividade precisa ter um objetivo

Uma das principais diferenças entre simplesmente ouvir música e participar de musicoterapia está na intenção terapêutica.

A atividade não acontece apenas para passar o tempo ou oferecer entretenimento.

Existe um objetivo relacionado ao processo de cuidado.

Esse objetivo pode mudar conforme a evolução do paciente e precisa estar integrado ao acompanhamento realizado pela equipe.

Tratamento também pode envolver novas formas de expressão

Nem todo cuidado acontece apenas por meio da fala.

Diferentes abordagens podem ser incorporadas ao tratamento para oferecer outras formas de trabalhar emoções, comportamentos, relações e experiências.

A musicoterapia é uma dessas possibilidades.

Quando utilizada de forma profissional e integrada ao plano terapêutico, pode contribuir para que o paciente encontre novas maneiras de se expressar, interagir e participar ativamente do próprio processo de recuperação.

O Hospital Átrios oferece tratamento especializado em dependência química e saúde mental, com atividades terapêuticas integradas e acompanhamento de equipe multiprofissional.